sábado, 8 de agosto de 2009

Mal do século - Reclamar da vida

Parece uma frase batida, mas é um vício que cresce a cada dia e tomou uma proporção I.R.R.I.T.A.N.T.E. Isso começa com uma pessoa, e quando se vê todos estão contaminados com esta doença. Geralmente esse chato se acha a pessoa mais desprovida do mundo e já começa o dia se lamentando. E como se não bastasse faz questão de tornar público o seu lamento. E, na maioria das vezes, eu sou a vítima e tenho que escutar e fazer cara de "nossa". Sério, não dá!! Essa frequência realmente me incomoda! Eu conheço pessoas que carregam o mundo nas costas e nem por isso estão reclamando.

Dia desses eu estava em uma fila demorada e uma chata resolveu reclamar. O que eu tenho com isso? A fila não vai andar mais rápido ora. Eu não do SAC. As pessoas reclamam do trabalho de terem filhos, mas na hora do "bem-bom" ninguém reclamou de nada né? Engraçado...
Reclamam do sol e da chuva. AGRADEÇA caramba! O mundo precisa disso e não do seu murmúrio! É isso que causa o aquecimento global, essas mentes viciadas.

O preço aumentou? Reclama com o Procon!
A fila não anda? Reclama com o gerente!
O motorista dirige mal? Reclama com a Rio Ônibus!

Transformar um problema em uma catástrofe não faz de ninguém um herói.

Herói é quem luta pela vida em uma cama de hospital e conta nos segundos o efeito dos remédios. Sofre a angústia da dor e a esperança da recuperação. É quem sobrevive nos lugares mais inóspitos e mesmo assim tem um sorriso no rosto. Herói é quem ganha essa luta e não espera a honraria.

Então vamos sorrir e enviar a reclamação ao seu destino certo, não para um estranho ao seu lado...

A vida é um presente e eu quero vivê-la assim, como se todos os dias fossem únicos!!
-"O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo,muito longo para os que lamentam,muito curto para os que festejam.Mas, para os que amam, o tempo é eternidade" (William Shakespeare)

domingo, 28 de junho de 2009

O recado de Michael


Desde a morte de Michael tenho ouvido algumas críticas quanto ao rumo de sua vida. No caminho para o trabalho, no trabalho, no restaurante, no jornal e na TV, mas uma que me incomodou, foi no salão de beleza.

Deixo de lado o velho costume de jogar "fofoca" fora no salão. Quero deixar essas palavras aqui. Ou seriam perguntas? Ainda tenho muitas dúvidas nessa vida.

A conversa começa com uma fala ensaiada do que é certo, do que ele não devia fazer com a vida dele. Duas mulheres que, depois de duras críticas, falam: "Não é possível, ele era louco. Quem destrói o corpo daquela forma?"

Esse foi o único tema abordado. O fato dele ter ficado branco. Nem falaram das suspeitas de pedofilia...

Eis que olho para o lado e vejo uma senhora de aproximadamente 70 anos. Bastou 1 segundo para notar a sorridente velha insatisfeita. Ela estava ali, entre uma imensidão de botox, pó de arroz, rímel excessivo, decote profundo, calça justíssima, salto 20, voz forçada e estridente. O "perfeito" retrato da nossa humanidade: inconformada com o passar do tempo, ignora a lei da física e não assume a idade com classe e sabedoria. E a consequência se vê nessa senhora, que esqueceu que pensar é necessário para não se tornar débil. Óbvio, salvo exceções (graças!!!) Então eu me pergunto: "Não é possível, ela é louca. Quem destrói o corpo dessa forma?"

No auge da idade do saber, que eu tanto aprecio, parece ter 15 anos. Impressionante como o cérebro de alguns pára no tempo e não vive as dores do mundo com dignidade, só querem apontar o outro. E o outro, nesse caso foi o Michael. Um gênio, tão humano como nós, que usou sua dor como auto-punição e presente eterno: Sua música.
Michael foi um alvo desse mundo exigente e vazio: O próprio pai foi seu maior vilão. Ele não tinha idade para saber que só sua voz bastava. Foi na infância, sob críticas, que começou sua arte e seu desastre psicólogico.

E com todos os contratempos ele transformou sua dor em música: Um recado falado perfeito. Brilhante! E o recado do mundo é um rascunho mal escrito e borrado, pois a mente que só aponta, não cria.
Viva Michael!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Inspiração


Parece que não, mas tudo muda pra melhor. Até o pessimista aprende, só que precisa da perda para dar valor.

Mas quando se é otimista, a surpresa é maior. A dose de felicidade só sabe quem sente.

Momentos inesquecíveis só ficam guardados porquê se gosta MUITO ou POUCO de algum acontecimento.

E chega uma época da vida em que não nos preocupamos mais em não ser tão transparentes, e a nossa alegria de viver é como respirar.

E é aí que eu quero chegar. É quando você remexe TUDO o que já viveu e todas aquelas maiores alegrias se tornam passado. Dão lugar a uma só coisa: Ao seu filho. Um amor indivisível e único, independente da quantidade.

Esse amor 5 estrelas é como se fosse o início de uma nova vida em você. Ou podemos dizer que é um renascimento, uma chance de nos melhorarmos. Tentamos melhorar o mundo inteiro para este amor único que agora existe.

Me lembro da primeira vez que vi a minha princesa. Nunca vou saber explicar aquela emoção daquele exato momento, mas sei explicar que de lá pra cá, não sou mais a mesma. A princesa Ana Júlia não é minha filha de ventre, mas filha de alma, de amor, de renascimento e cada dia esse amor toma uma proporção maior.

A vida é assim. A gente ACHA que AMA todo o possível, aí vem um chamado lá de cima e te diz: Você pode mais.

Uma fada-madrinha encantada.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Coisas que não mudam

Enchente no bairro Jardim Botânico em 1988

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Solidão do mundo


O mundo te programa para ser infeliz. Faz você se sentir um nada, comprar roupas, jóias, carros, amigos..compra teu sol, teu sorriso, tua vida! Te faz achar que casar é chato, que não beber é chato, que ser caseiro é chato, e que "ser feliz assim" é uma merda!

A sua vida não é primeira capa da caras? Que maravilha! Esse é o caminho, mas..

Eis que de repente você tem 30 ou 40 e se sente um adolescente. Não tem mais tempo, e tudo o que queria naquele momento era ficar um pouco mais na rua, jogando conversa fora sentado no meio fio. Parece impossível demais para esse compromissado ser?

E o solo daquela música? Não é mais tão interessante? Eu duvido. Ele te persegue diariamente. Você ACHA que a vida é feita de fases. Mas a fase da nossa vida é cada passo que os nossos pés dão. O que te impede de sair agora pela rua e se encontrar com você mesmo? Você não é ridículo, e sim essa sociedade que te cobra movimentos programados. E é aí que muitos são pegos, nessa "ladainha barata século 21".

E um reflexo disso tudo é a frieza humana. Idosos que mal podem andar nas ruas pedindo esmola, e tudo ali tão indiferente. Eu não quero salvar o mundo, mas não é possível que só eu veja aquela pessoa ali. Por onde andou? O que fez? Como pode estar distante do mundo daquela forma? Não dá pra culpar só a burguesia dominante, nós temos braços também, e sempre sobra (porquê é de sobra que eles vivem) um pedaço de pão e um pouco de gentileza no fim do dia. Tem coisas que nós podemos fazer agora e não adianta botar a culpa no presidente.

Ainda dá tempo de acertar?

Resposta do Renato Russo: "Temos todo o tempo do mundo.."


terça-feira, 21 de abril de 2009

O resto é silêncio

(foto retirada da internet)

Não há como esquecer de Hamlet. Construí na minha mente toda a Dinamarca, cada pedaço daquele príncipe fora dos padrões "reais" da palavra. Já havia visto algumas encenações desta bela tragédia, mas Hamlet renasceu com Wagner Moura.

Hamlet estava ali o tempo todo. Em cada respiração, em cada frase que saía era nítido o comando. Às vezes era difícil se desligar do Hamlet e perceber que o Wagner estava ali: Tão mergulhado, tão perfeito, tão Hamlet!!! Quem lê Shakespeare e vai ao teatro com toda aquela sede, sabe da importância do bom ator em cena, mas com uma coisa eu não contava: já não consigo imaginar Hamlet sem Wagner. Essa sintonia, sem esforço, que naturalmente vai conquistando a platéia e faz você dizer em silêncio: - Quero que o tempo pare. É um momento único. A peça termina e você quer mais....mais Hamlet e mais Wagner!

Mas como o tempo não para na verdade dos (meus) dias, deixo ele parado aqui nessas palavras silenciosas e recomendo: Hamlet!

sábado, 28 de março de 2009

Poema final


Minhas profecias escritas à mão, doem.
Pesadas, nessas páginas em branco, pintam minha vida.
Livre, a tinta mergulha, entrega e acomoda as palavras,
MINHAS palavras.
Se apodera, fulmina
Cada linha uma dor
Cada parágrafo um amor
Cada data um sabor
E sem semblante algum
Põe fim aos meus dias
Arrancando minhas páginas, MINHA vida
Contento-me, pois sei...
Que em algum lugar...
Alguém leu, e sabe de cor
o meu solene testamento.
Juliana Carlantonio - 12/08/03